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06/02/2026 15:25

O que GLP-1 (Mounjaro, Wegovy e Ozempic) tem a ver com pancreatite aguda?

Com o aumento na prescrição de medicamentos da classe GLP-1, instituições de vigilância farmacológica dos Estados Unidos e do Reino Unido identificaram relatos de complicações relacionadas ao uso desses medicamentos, principalmente a pancreatite aguda.

Alinhada às recomendações das agências internacionais, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, em 9/2/2026, nota técnica alertando para o risco de desenvolvimento da doença em situações de uso inadequado das “canetas emagrecedoras”, como são popularmente conhecidas. Nesta nota técnica, evidencia-se a importância do acompanhamento regular justifica-se a orientação da necessidade de retenção de receita que deve ter 2 vias e validade de 90 dias, como ocorre com os antibióticos.

A Anvisa reforça que essas medicações devem ser utilizadas exclusivamente conforme as indicações e os modos de utilização aprovados em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.

O acompanhamento médico é mandatório justamente pelo risco de eventos adversos, como a pancreatite aguda, que pode evoluir para formas graves e até óbito. Apesar do alerta, não houve alteração na relação entre risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam as possíveis complicações associadas ao uso.

Neste artigo, apresentamos as evidências científicas atuais sobre a segurança desses medicamentos em relação ao risco de pancreatite aguda e reforçamos a importância do acompanhamento clínico coordenado.

Como vimos aqui na Biblioteca da Saúde, a pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que causa dor abdominal intensa, náuseas e vômitos.

Leia sobre:

1. Definição
2. Dados de prescrição
3. Riscos de pancreatite
4. Evidências científicas atuais
5. Segurança e acompanhamento
6. Recomendações importantes
7. Conte com o nosso plano para se cuidar
8. Autodeclaração de saúde
9. Referências bibliográficas

Definição

As classes medicamentosas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) são utilizadas no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e/ou da obesidade. Em setembro de 2025, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou a política pública para enfrentamento da obesidade: na sua diretriz, os medicamentos da classe GLP-1 são aliados às estratégias de mudança de hábitos alimentares e de estilo de vida.

Eles auxiliam no controle glicêmico, promovem perda de peso e contribuem para a redução do risco cardiovascular. Mounjaro, Wegovy e Ozempic são algumas dessas medicações (veja lista completa). Além dessas indicações, alguns medicamentos têm ação mais específica em pacientes com condições cardíacas e esteatose hepática (gordura no fígado) de origem não alcoólica moderada/grave (EHNA) e dislipidemia (aumento das gorduras no sangue).

Dados de prescrição

O uso de medicamentos GLP-1, como Mounjaro, Wegovy e Ozempic, está crescendo de forma exponencial no mundo, impulsionado pelo uso no tratamento da diabetes tipo 2 e, cada vez mais, da obesidade.

Dados globais e tendências (2024-2025):

  • Volume em aumento: estudos indicam que, entre janeiro de 2018 e março de 2025, quase 2 milhões de pacientes receberam prescrição de um medicamento da classe GLP-1, com um total superior a 10 milhões de prescrições nesse período.
  • Taxa de crescimento: as prescrições para obesidade aumentaram mais de 17% entre dezembro de 2024 e março de 2025.
  • No Brasil: ainda não há números sobre o volume de prescrições em 2025. Entretanto, o mercado de medicamentos da classe GLP-1 também cresce no país, alcançando valores expressivos e representando uma parte significativa do mercado farmacêutico, o que levou à necessidade de novas regras de retenção de receita pela Anvisa para garantir a segurança e a pertinência técnica da prescrição.

Riscos de pancreatite

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No passado, alguns relatos levantaram a preocupação de que esses medicamentos poderiam estar associados ao aumento de casos de pancreatite aguda. Essas suspeitas surgiram principalmente a partir de observações iniciais e estudos experimentais, e, mais recentemente, relatos de casos em seres humanos, o que levou as agências europeia e americana a emitirem um alerta sobre a importância da utilização desses medicamentos sob orientação médica contínua e individualizada (de acordo com o histórico de cada paciente).

Evidências científicas atuais

Estudos clínicos de grande porte - mais robustos e recentes - não demonstraram aumento significativo do risco de pancreatite aguda associado ao uso de medicamentos da classe GLP-1. O risco observado é baixo e semelhante ao de outras terapias antidiabéticas. É importante destacar que muitos pacientes que usam essas medicações já apresentam fatores de risco para pancreatite, como obesidade, alterações no colesterol e problemas na vesícula biliar, em que o risco para a inflamação do pâncreas é maior. Isso reforça a necessidade de uma avaliação clínica cuidadosa antes e durante o tratamento.

Segurança e acompanhamento

Apesar do perfil de segurança favorável, o uso desses medicamentos deve ser acompanhado clinicamente. Profissionais de saúde devem avaliar o histórico do paciente e os sinais de alerta, orientando e monitorando possíveis eventos adversos.

Recomendações importantes

O acompanhamento regular com a equipe de saúde é fundamental para:

  • Utilizar somente sob prescrição médica
  • Avaliar a resposta ao tratamento
  • Identificar precocemente possíveis efeitos adversos
  • Não interromper o tratamento sem orientação da equipe de cuidados
  • Orientar o paciente sobre sinais de alerta, como dor abdominal persistente

Esse cuidado contínuo contribui para que os benefícios do tratamento sejam alcançados com segurança.

Conte com o nosso plano para se cuidar

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O acompanhamento multidisciplinar é indispensável durante o tratamento. É o que oferecemos a todo o nosso público beneficiário por meio do Programa Cuidar | Atenção Primária. Em parceria com o Sírio-Libanês, todos os atendimentos desse programa são isentos de coparticipação. Confira aqui como se inscrever.

Autodeclaração de saúde

Já fez a autodeclaração de saúde? A partir dela, conseguimos mapear riscos, entender suas necessidades e indicar os programas complementares de saúde mais adequados à sua jornada, sempre com foco no seu bem-estar.

Acesse o Portal do Beneficiário e clique no menu 'Programas Complementares' para responder ao seu questionário de autodeclaração. No app Saúde Petrobras, o acesso é por meio do Perfil (canto superior direito).

Referências bibliográficas

  1. Anvisa emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras
  2. MARSO, S. P. et al. Semaglutide and cardiovascular outcomes in patients with type 2 diabetes. New England Journal of Medicine, 2016. Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Patients with Type 2 Diabetes | New England Journal of Medicine
  3. BETHEL, M. A. et al. Assessing the safety of incretin-based therapies. The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2018. Safety of Incretin-Based Therapies—Review of the Scientific Evidence | The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism | Oxford Academic
  4. MONAMI, M. et al. Glucagon-like peptide-1 receptor agonists and pancreatitis. Diabetes Research and Clinical Practice, 2014. Glucagon-like peptide-1 receptor agonists and pancreatitis: A reconcilable divorce | Cleveland Clinic Journal of Medicine
  5. AYOUB, M. et al. Pancreatitis Risk Associated with GLP-1 receptor agonists, considered as a single class, in a comorbidity-free subgroup of type 2 diabetes patients in the United States: a propensity score-matched analysis. Pancreatitis Risk Associated with GLP-1 Receptor Agonists, Considered as a Single Class, in a Comorbidity-Free Subgroup of Type 2 Diabetes Patients in the United States: A Propensity Score-Matched Analysis - PubMed
  6. OMS publica diretriz global sobre uso de medicamentos agonistas de GLP-1 para tratamento da obesidade - OPAS/OMS | Organização Pan-Americana da Saúde

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