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Saiba como tratar a pancreatite aguda: inflamação súbita do pâncreas
A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas, órgão que se situa na parte superior do abdômen e atrás do estômago, que produz líquidos digestivos e o hormônio insulina. Sua manifestação varia desde formas leves e autolimitadas até quadros graves com risco de morte, sendo as causas mais comuns a litíase biliar e o consumo abusivo de álcool. O diagnóstico é baseado em achados clínicos, laboratoriais e de imagem. Já o tratamento envolve suporte clínico intensivo e, quando necessário, intervenções específicas para complicações locais ou sistêmicas.
Este artigo aborda a definição, a epidemiologia, os sinais e sintomas, o diagnóstico, os exames complementares, o tratamento e as estratégias de prevenção da pancreatite aguda.
Leia sobre:
1. Definição
2. Epidemiologia
3. Quadro clínico
4. Diagnóstico
5. Tratamento
6. Prevenção
7. Conte com o nosso plano para se cuidar
8. Autodeclaração de saúde
9. Referências bibliográficas
Definição

A pancreatite aguda (PA) é uma das emergências gastrointestinais mais frequentes na prática médica. Caracteriza-se por inflamação súbita do pâncreas, com possível comprometimento de tecidos adjacentes e órgãos à distância. A inflamação é resultado da ativação dentro do pâncreas de enzimas digestivas, levando à autodigestão do tecido pancreático e à resposta inflamatória pelo corpo todo (inflamação sistêmica).
O quadro clínico pode variar de forma leve e autolimitada até grave, com falência múltipla de órgãos. A compreensão das causas e como tratar a inflamação são essenciais para reduzir o risco de morte e prevenir recorrências.
Epidemiologia
Números sobre a incidência mundial de pancreatite aguda:
- De 13 a 45 casos por 100.000 habitantes/ano, dependendo da região e dos hábitos populacionais.
- No Brasil, a taxa média é de, aproximadamente, 25 casos por 100.000 habitantes/ano.
As principais causas incluem:
- Cálculo (pedra) na vesícula (litíase biliar) - 40–70% dos casos
- Álcool (25–35%)
- Aumento dos triglicerídeos no sangue (hipertrigliceridemia)
- Outras causas: medicamentos, trauma abdominal e causas não identificadas A mortalidade é inferior a 5% nas formas leves, mas pode ultrapassar 30% nas formas graves, com necrose pancreática e falência de múltiplos órgãos.
Quadro clínico

Os sintomas clássicos incluem dor abdominal intensa, localizada na região superior do abdômen e irradiando para as costas; náuseas e vômitos persistentes; distensão abdominal e parada de eliminação de gases. Nas apresentações mais graves, pode haver febre, aceleração dos batimentos cardíacos (taquicardia) e queda da pressão arterial (hipotensão).
A pele pode ficar amarelada (icterícia) em casos de origem por cálculos na vesícula (conhecida pedra na vesícula). O cálculo pode sair da vesícula e “entupir” um canal que leva a bile para o intestino, chamado colédoco. Quando isso acontece, a bile vai para o pâncreas e causa a inflamação.
Diagnóstico

O diagnóstico da pancreatite aguda é uma combinação de achados clínicos e laboratoriais, podendo ser confirmado por exames de imagem.
Para o diagnóstico, são exigidos dois dos seguintes critérios:
- Dor abdominal característica – descrita no quadro clínico.
- Elevação no sangue das enzimas do pâncreas - amilase ou lipase ≥ 3 vezes o limite normal (lipase e amilase são enzimas digestivas essenciais, produzidas principalmente pelo pâncreas para quebrar alimentos no intestino delgado. A amilase digere carboidratos (amido), enquanto a lipase quebra gorduras (triglicerídeos).
- Achados compatíveis em exames de imagem (ultrassonografia e/ou tomografia computadorizada e/ou ressonância nuclear magnética).
A lipase aumentada no sangue é o marcador mais sensível e específico, pois permanece elevada por mais tempo do que a amilase.
Tratamento

O tratamento inicial é baseado em:
- Dieta zero – a reintrodução da dieta vai depender do quadro clínico, mas deve ser estabelecida assim que o paciente não apresentar mais enjoos e/ou vômitos. Inicialmente, a dieta deve ser pobre em gorduras e pastosa para não exigir demais do pâncreas.
- Hidratação venosa vigorosa - é importante manter o paciente hidratado para auxiliar na redução da inflamação.
- Controle da dor com analgésicos – o controle da dor irá depender da intensidade. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de morfina; os anti-inflamatórios não são utilizados, pois lesam ainda mais o pâncreas.
- Monitorização dos sinais vitais - controle da pressão arterial, batimentos cardíacos e frequência da respiração, entre outros.
O tratamento etiológico depende das causas identificadas, que podem ser:
- Retirada da vesícula (colecistectomia) após total restauração da função do pâncreas na pancreatite biliar.
- Na pancreatite causada por abuso de álcool, a abstinência alcoólica é mandatória.
- Controle de triglicerídeos na pancreatite por alterações no controle das gorduras no sangue.
Em situações com complicações, como abscessos e necroses infectadas, pode haver necessidade do uso de antibióticos e cirurgia para drenagem de abscessos.
Prevenção

As medidas preventivas são extremamente importantes, pois a pancreatite pode ocorrer outras vezes, causando lesões irreversíveis no pâncreas.
As medidas preventivas incluem:
- Abstinência alcoólica – pacientes com pancreatite alcoólica devem parar de beber.
- Tratamento dos cálculos na vesícula (litíase biliar) – neste caso, a retirada da vesícula.
- Controle das gorduras no sangue - evitar alimentos ricos em gorduras chamadas saturadas, presentes nos famosos fast foods, biscoitos recheados e alimentos prontos, como embutidos.
- Evitar uso de medicamentos que podem lesar o pâncreas, como anti-inflamatórios.
- Manutenção de hábitos saudáveis.
Conte com o nosso plano para se cuidar

A pancreatite aguda é uma doença potencialmente grave, cujo sucesso do tratamento depende do diagnóstico precoce, do suporte clínico adequado e da identificação da causa. O reconhecimento rápido das formas graves e o tratamento instituído rápida e intensivamente são essenciais para reduzir a mortalidade. As medidas preventivas desempenham papel fundamental na redução de recidivas e complicações.
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Referências bibliográficas
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- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas da Pancreatite Aguda. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas da Pancreatite Aguda. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. - Pesquisar
- YADAV, D.; LOWENFELS, A. B. The epidemiology of pancreatitis and pancreatic cancer. Gastroenterology, 144(6):1252–1261, 2013. Epidemiology of Pancreathitis.pdf
- TENNER, S.; BAILLIE, J.; DEWITT, J.; VEGE, S. S. American College of Gastroenterology guideline: management of acute pancreatitis. Am J Gastroenterol., 118:420–438, 2023. American College of Gastroenterology - Pancreatitis Guideline.pdf
- MACHADO, M. C. C.; CUNHA, J. E. M. Pancreatite aguda: atualização no diagnóstico e tratamento. Rev Assoc Med Bras, 69(2):270–278, 2023. Pancreatite Aguda - atualização no diagnóstico e tratamento.pdf
- VEGE, S. S. et al. Management of acute pancreatitis in adults: UpToDate review. UpToDate, 2024. American College of Gastroenterology Guidelines: Management of Acute Pancreatitis - PubMed
- Pancreatite aguda - Distúrbios digestivos - Manual MSD Versão Saúde para a Família
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