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30/01/2026 15:16

Saiba como tratar a pancreatite aguda: inflamação súbita do pâncreas

A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas, órgão que se situa na parte superior do abdômen e atrás do estômago, que produz líquidos digestivos e o hormônio insulina. Sua manifestação varia desde formas leves e autolimitadas até quadros graves com risco de morte, sendo as causas mais comuns a litíase biliar e o consumo abusivo de álcool. O diagnóstico é baseado em achados clínicos, laboratoriais e de imagem. Já o tratamento envolve suporte clínico intensivo e, quando necessário, intervenções específicas para complicações locais ou sistêmicas.

Este artigo aborda a definição, a epidemiologia, os sinais e sintomas, o diagnóstico, os exames complementares, o tratamento e as estratégias de prevenção da pancreatite aguda.

Leia sobre:

1. Definição
2. Epidemiologia
3. Quadro clínico
4. Diagnóstico
5. Tratamento
6. Prevenção
7. Conte com o nosso plano para se cuidar
8. Autodeclaração de saúde
9. Referências bibliográficas

Definição

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A pancreatite aguda (PA) é uma das emergências gastrointestinais mais frequentes na prática médica. Caracteriza-se por inflamação súbita do pâncreas, com possível comprometimento de tecidos adjacentes e órgãos à distância. A inflamação é resultado da ativação dentro do pâncreas de enzimas digestivas, levando à autodigestão do tecido pancreático e à resposta inflamatória pelo corpo todo (inflamação sistêmica).

O quadro clínico pode variar de forma leve e autolimitada até grave, com falência múltipla de órgãos. A compreensão das causas e como tratar a inflamação são essenciais para reduzir o risco de morte e prevenir recorrências.

Epidemiologia

Números sobre a incidência mundial de pancreatite aguda:

  • De 13 a 45 casos por 100.000 habitantes/ano, dependendo da região e dos hábitos populacionais.
  • No Brasil, a taxa média é de, aproximadamente, 25 casos por 100.000 habitantes/ano.

As principais causas incluem:

  1. Cálculo (pedra) na vesícula (litíase biliar) - 40–70% dos casos
  2. Álcool (25–35%)
  3. Aumento dos triglicerídeos no sangue (hipertrigliceridemia)
  4. Outras causas: medicamentos, trauma abdominal e causas não identificadas A mortalidade é inferior a 5% nas formas leves, mas pode ultrapassar 30% nas formas graves, com necrose pancreática e falência de múltiplos órgãos.

Quadro clínico

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Os sintomas clássicos incluem dor abdominal intensa, localizada na região superior do abdômen e irradiando para as costas; náuseas e vômitos persistentes; distensão abdominal e parada de eliminação de gases. Nas apresentações mais graves, pode haver febre, aceleração dos batimentos cardíacos (taquicardia) e queda da pressão arterial (hipotensão).

A pele pode ficar amarelada (icterícia) em casos de origem por cálculos na vesícula (conhecida pedra na vesícula). O cálculo pode sair da vesícula e “entupir” um canal que leva a bile para o intestino, chamado colédoco. Quando isso acontece, a bile vai para o pâncreas e causa a inflamação.

Diagnóstico

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O diagnóstico da pancreatite aguda é uma combinação de achados clínicos e laboratoriais, podendo ser confirmado por exames de imagem.

Para o diagnóstico, são exigidos dois dos seguintes critérios:

  1. Dor abdominal característica – descrita no quadro clínico.
  2. Elevação no sangue das enzimas do pâncreas - amilase ou lipase ≥ 3 vezes o limite normal (lipase e amilase são enzimas digestivas essenciais, produzidas principalmente pelo pâncreas para quebrar alimentos no intestino delgado. A amilase digere carboidratos (amido), enquanto a lipase quebra gorduras (triglicerídeos).
  3. Achados compatíveis em exames de imagem (ultrassonografia e/ou tomografia computadorizada e/ou ressonância nuclear magnética).

A lipase aumentada no sangue é o marcador mais sensível e específico, pois permanece elevada por mais tempo do que a amilase.

Tratamento

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O tratamento inicial é baseado em:

  • Dieta zero – a reintrodução da dieta vai depender do quadro clínico, mas deve ser estabelecida assim que o paciente não apresentar mais enjoos e/ou vômitos. Inicialmente, a dieta deve ser pobre em gorduras e pastosa para não exigir demais do pâncreas.
  • Hidratação venosa vigorosa - é importante manter o paciente hidratado para auxiliar na redução da inflamação.
  • Controle da dor com analgésicos – o controle da dor irá depender da intensidade. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de morfina; os anti-inflamatórios não são utilizados, pois lesam ainda mais o pâncreas.
  • Monitorização dos sinais vitais - controle da pressão arterial, batimentos cardíacos e frequência da respiração, entre outros.

O tratamento etiológico depende das causas identificadas, que podem ser:

  • Retirada da vesícula (colecistectomia) após total restauração da função do pâncreas na pancreatite biliar.
  • Na pancreatite causada por abuso de álcool, a abstinência alcoólica é mandatória.
  • Controle de triglicerídeos na pancreatite por alterações no controle das gorduras no sangue.

Em situações com complicações, como abscessos e necroses infectadas, pode haver necessidade do uso de antibióticos e cirurgia para drenagem de abscessos.

Prevenção

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As medidas preventivas são extremamente importantes, pois a pancreatite pode ocorrer outras vezes, causando lesões irreversíveis no pâncreas.

As medidas preventivas incluem:

  • Abstinência alcoólica – pacientes com pancreatite alcoólica devem parar de beber.
  • Tratamento dos cálculos na vesícula (litíase biliar) – neste caso, a retirada da vesícula.
  • Controle das gorduras no sangue - evitar alimentos ricos em gorduras chamadas saturadas, presentes nos famosos fast foods, biscoitos recheados e alimentos prontos, como embutidos.
  • Evitar uso de medicamentos que podem lesar o pâncreas, como anti-inflamatórios.
  • Manutenção de hábitos saudáveis.

Conte com o nosso plano para se cuidar

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A pancreatite aguda é uma doença potencialmente grave, cujo sucesso do tratamento depende do diagnóstico precoce, do suporte clínico adequado e da identificação da causa. O reconhecimento rápido das formas graves e o tratamento instituído rápida e intensivamente são essenciais para reduzir a mortalidade. As medidas preventivas desempenham papel fundamental na redução de recidivas e complicações.

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Referências bibliográficas

  1. BANKS, P. A.; BOLLEN, T. L.; DERVENIS, C. et al. Classification of acute pancreatitis—2012: revision of the Atlanta classification and definitions by international consensus. Gut, 62(1):102–111, 2013. Banks Acute Pancreathitis.pdf
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas da Pancreatite Aguda. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas da Pancreatite Aguda. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. - Pesquisar
  3. YADAV, D.; LOWENFELS, A. B. The epidemiology of pancreatitis and pancreatic cancer. Gastroenterology, 144(6):1252–1261, 2013. Epidemiology of Pancreathitis.pdf
  4. TENNER, S.; BAILLIE, J.; DEWITT, J.; VEGE, S. S. American College of Gastroenterology guideline: management of acute pancreatitis. Am J Gastroenterol., 118:420–438, 2023. American College of Gastroenterology - Pancreatitis Guideline.pdf
  5. MACHADO, M. C. C.; CUNHA, J. E. M. Pancreatite aguda: atualização no diagnóstico e tratamento. Rev Assoc Med Bras, 69(2):270–278, 2023. Pancreatite Aguda - atualização no diagnóstico e tratamento.pdf
  6. VEGE, S. S. et al. Management of acute pancreatitis in adults: UpToDate review. UpToDate, 2024. American College of Gastroenterology Guidelines: Management of Acute Pancreatitis - PubMed
  7. Pancreatite aguda - Distúrbios digestivos - Manual MSD Versão Saúde para a Família

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