11/11/2025 11:00
Entenda o que causa o crescimento benigno da próstata
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma condição urológica comum e progressiva em pessoas com próstata mais velhas, caracterizada pelo aumento não canceroso da glândula prostática. Esse crescimento pode resultar em sintomas do trato urinário inferior (STUI), principalmente a uretra, que é o canal dentro do pênis por onde sai a urina, impactando significativamente a qualidade de vida.
Este artigo tem o objetivo de apresentar os mecanismos patológicos, o quadro clínico, os métodos diagnósticos e as propostas terapêuticas atuais para a HPB, baseando-se em evidências científicas para orientar o manejo da doença, além de reforçar a importância do acompanhamento regular da saúde masculina para prevenção e detecção precoce a fim de que o tratamento seja eficaz e a pessoa com próstata tenha uma vida saudável e de qualidade.
Leia sobre:
1. O que é a próstata
2. Mecanismo e fatores de risco
3. Quadro clínico: sintomas do trato urinário inferior (STUI)
4. Diagnóstico
5. Tratamento
6. Conte com o nosso plano para se cuidar
7. Autodeclaração de saúde
8. Referências bibliográficas
O que é a próstata
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada abaixo da bexiga, envolvendo a uretra. Com o envelhecimento, a próstata pode aumentar de tamanho, uma condição conhecida como hiperplasia prostática benigna. A obstrução prostática benigna e/ou sintomas do trato urinário inferior (“lower urinary tract symptoms” – LUTS) são os sinais e sintomas mais frequentes. A prevalência de HPB aumenta progressivamente com a idade, afetando cerca de 25% das pessoas com próstata entre 40 e 49 anos e chegando a 80% ou mais na faixa dos 70 a 80 anos. O crescimento da próstata pode comprimir a uretra, causando sintomas que variam de leves a graves e que, se não tratados, podem levar a complicações sérias.
Mecanismo e fatores de risco
A causa exata da HPB ainda é desconhecida, mas o envelhecimento e as alterações hormonais, especialmente a presença de testosterona e seus metabólitos, desempenham um papel crucial. Além da idade, outros fatores de risco incluem histórico familiar, etnia (afrodescendentes possuem maior predisposição), diabetes, doenças cardíacas e hábitos de vida não saudáveis, como obesidade e tabagismo. Como em várias outras doenças, as comorbidades são grandes fatores de risco para o desenvolvimento da doença.
O processo fisiopatológico envolve o crescimento benigno do tecido e do epitélio da próstata, o que leva à compressão da uretra. Essa obstrução causa sintomas obstrutivos e irritativos que caracterizam o quadro clínico da HPB.
A etiologia é multifatorial, sendo a idade, o PSA e o volume prostático os verdadeiros fatores relacionados ao desenvolvimento da doença. Baseando-se nesses fatores de risco específicos, é possível identificar um grupo de pacientes com risco aumentado de progressão e para os quais deve ser apropriado o início precoce do tratamento. A necessidade de cirurgia para tratar HPB aumenta com a idade e com o grau de sintomas no início da doença. Nictúria (necessidade de ir ao banheiro várias vezes à noite) e alterações do fluxo do jato urinário parecem ser os sintomas preditivos mais importantes.
Quadro clínico: sintomas do trato urinário inferior (STUI)
Os sintomas associados à HPB são classificados em obstrutivos e irritativos.
Sintomas obstrutivos
- Fluxo urinário fraco ou interrompido
- Dificuldade para iniciar a micção
- Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
- Gotejamento pós-miccional
Sintomas irritativos
- Aumento da frequência urinária, tanto diurna quanto noturna (nictúria)
- Disfunção erétil e diminuição da frequência de ereções espontâneas
- Redução da fertilidade
A avaliação dos sintomas pode ser realizada por meio de questionários específicos, como o International Prostate Symptom Score (IPSS) ou em português: Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (EISP).
Diagnóstico

O diagnóstico da HPB é baseado na avaliação dos sintomas, exame físico e exames laboratoriais e de imagem. O preconceito e o medo do exame físico da próstata frequentemente retardam o diagnóstico tanto da hiperplasia quanto da neoplasia da próstata. Precisamos desmistificar o exame que é rápido, indolor, faz parte da rotina do exame físico masculino e extremamente importante para diagnósticos precoces e instituição do tratamento adequado.
- Histórico clínico: o médico deve investigar o início e a progressão dos sintomas urinários. A história familiar é importante e a avaliação das comorbidades devem fazer parte para a correta orientação.
- Exame físico: o toque retal é fundamental para avaliar o tamanho, a forma e a consistência da próstata. Pequenas alterações podem ser indício de neoplasia de próstata antes mesmo de haver alterações no PSA.
- Exames laboratoriais: a dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA) ajuda a diferenciar a HPB do câncer de próstata. Os exames laboratoriais não excluem o exame físico da próstata. prostático, podendo agravar a hiperplasia prostática benigna ou o crescimento de câncer de próstata existente
- Urofluxometria: mede a velocidade do fluxo urinário, avaliando o grau de obstrução.
- Ultrassonografia: pode ser usada para medir o volume da próstata e o volume de urina residual na bexiga.
- Biópsia: reservada para casos de suspeita de câncer.
Tratamento
O tratamento da HPB depende da gravidade dos sintomas e do impacto na qualidade de vida do paciente. Este tratamento é sempre individualizado e multidisciplinar, visando reduzir o impacto da condição na qualidade de vida do paciente.
Observação vigilante
Para casos leves, mudanças no estilo de vida são a primeira linha de tratamento. Incluem:
- Redução do consumo de cafeína e álcool
- Controle da ingestão de líquidos antes de dormir
- Prática de exercícios físicos regulares
Tratamento farmacológico
Medicamentos são indicados para casos moderados a graves. O tratamento medicamentoso pode variar, dependendo da gravidade do quadro e de outras comorbidades que o paciente apresenta.
Tratamento cirúrgico
Indicado para casos graves ou quando o tratamento medicamentoso não é suficiente. A técnica cirúrgica é uma decisão em conjunto do cirurgião e do paciente, considerando riscos e benefícios de cada abordagem.
Conte com o nosso plano para se cuidar

A HPB é uma condição prevalente com o envelhecimento masculino, demandando atenção médica para o correto diagnóstico e tratamento. A abordagem terapêutica deve ser individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, a presença de comorbidades e as preferências do paciente. O avanço das técnicas cirúrgicas e o desenvolvimento de novas terapias farmacológicas oferecem opções eficazes para controlar a doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
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Referências bibliográficas
1. Brazilian Journal of Health Review. Hiperplasia prostática benigna.
2. Clínica Mayo. Hiperplasia prostática benigna (HPB) - Sintomas e causas.
3. NeoUro. Hiperplasia Prostática Benigna (HPB).
4. National Institutes of Health (NIH) | (.gov). Epidemiologia da hiperplasia prostática benigna clínica.
5. Research, Society and Development. Avanços no tratamento da Hiperplasia Prostática Benigna.
6. MSD Manuals. Hiperplasia prostática benigna.