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02/01/2026 10:25

Declínio cognitivo e envelhecimento: quando o esquecimento merece atenção

O envelhecimento populacional é um fenômeno global que apresenta desafios importantes para a saúde pública, especialmente no que se refere ao declínio cognitivo e às alterações de memória. Esses processos podem ocorrer de forma fisiológica, como parte do envelhecimento natural, ou patológica, como nas demências. A presença de doenças crônicas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares, tem estreita relação com o aumento do risco de comprometimento cognitivo e demência.

Neste artigo, leia sobre:

1. Funções cognitivas e epidemiologia
2. Classificação
3. Fatores contribuintes
4. Sinais e sintomas
5. Diagnóstico
6. Tratamento e prevenção
7. Conte com o nosso plano para se cuidar
8. Autodeclaração de saúde
9. Referências bibliográficas

Funções cognitivas e epidemiologia

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Funções cognitivas são os processos mentais que o cérebro utiliza para processar informação, permitindo-nos pensar, aprender, memorizar, prestar atenção, raciocinar, resolver problemas e se comunicar. Elas incluem habilidades básicas, como a atenção e a percepção, e processos mais complexos, como a memória de trabalho e as funções executivas, que são essenciais para a realização de atividades diárias e para a vida em sociedade.

O declínio cognitivo pode ser dividido em três categorias principais:

Envelhecimento normal: redução da velocidade de processamento de informações e alterações em funções executivas, sem prejuízo significativo das atividades de vida diária.

Comprometimento cognitivo leve: estágio intermediário em que as dificuldades são notáveis, mas não impedem a realização das atividades diárias, sendo uma condição que pode ou não progredir para demência.

Demência: caracterizada por prejuízos progressivos em múltiplas funções cognitivas, incluindo memória, linguagem, atenção e funções executivas, interferindo diretamente na autonomia do indivíduo e sua capacidade de gerir a própria vida.

Segundo o Ministério da Saúde, a prevalência de demência na população com mais de 65 anos gira em torno de 7,1%, sendo a doença de Alzheimer responsável por 55% dos casos. Considerando a frequência dessa condição no Brasil e o contingente de pessoa idosa em nosso país, de aproximadamente 15 milhões de pessoas, estima-se que haja 1,2 milhão de brasileiros com síndromes demenciais, com elevado custo à sociedade.

De acordo com a OMS, apenas 25% dos países do mundo têm uma política, uma estratégia ou um plano nacional para apoiar as pessoas com síndromes demenciais e suas famílias.

Classificação

De maneira mais genérica, podemos dividir os declínios cognitivos em duas grandes categorias:

1) Reversíveis: alterações cognitivas causadas por distúrbios ou doenças que, se diagnosticadas e tratadas precocemente, podem reverter o declínio cognitivo. Deficiências de vitaminas como B12 e ácido fólico, hipotireoidismo, uso de medicamentos de ação no cérebro são exemplos de condições que podem causar declínios cognitivos.

2) Irreversíveis: são as alterações cognitivas, como Alzheimer (mais prevalente) e demência vascular, que não tem tratamento no momento. A progressão até o óbito varia entre 5 e 10 anos.

Fatores contribuintes

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Diversos fatores podem contribuir para o declínio cognitivo e as alterações de memória:

  • Idade: o envelhecimento é o principal fator de risco para o desenvolvimento de distúrbios cognitivos.
  • Genética: fatores hereditários podem predispor indivíduos a doenças como Alzheimer.
  • Estilo de vida: hábitos como sedentarismo, dieta inadequada e falta de estimulação mental podem acelerar o declínio.
  • Comorbidades: condições como diabetes, hipertensão e depressão estão associadas a um maior risco de declínio cognitivo.

Sinais e sintomas

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Os sintomas do declínio cognitivo são motivos frequentes de consultas médicas, sendo o esquecimento a queixa mais frequente. A coleta da história clínica, exames médicos e testes de avaliação da capacidade cognitiva são fundamentais para avaliar se estamos diante de um declínio cognitivo que pode ocorrer devido ao envelhecimento considerado esperado ou se estamos diante de um possível quadro demencial que precisa ser melhor investigado.

As doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial e obesidade, são altos fatores de risco para a demência e devem sempre ser consideradas agravantes, devendo ter tratamento e controle severo.

Diagnóstico

O diagnóstico do declínio cognitivo é desafiador. Antes da suspeita de um quadro irreversível, deve-se sempre afastar causas reversíveis como uso de medicamentos, infecções e distúrbios metabólicos. A pessoa idosa é mais vulnerável a esses fatores e com frequência apresentam alterações cognitivas como sinal inicial.

Nos casos em que a hipótese de síndrome demencial é suspeita, exames específicos, como avaliação neuropsicológica e exames de imagem, são necessários para a confirmação diagnóstica.

Tratamento e prevenção

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O tratamento dos declínios cognitivos, quando reversíveis, consiste em corrigir o distúrbio que está provocando a alteração. Nos casos de demência, as medicações atuais têm ação temporária e não há cura.

Não há medidas preventivas específicas para o declínio cognitivo, mas estudos científicos já comprovaram que é necessário agir no controle das doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes e obesidade, pois são condições que afetam diretamente as células cerebrais (neurônios). Cessação do álcool e do tabagismo também são extremamente benéficos, assim como praticar atividade física. Manter uma atividade mental saudável tem ação neuroprotetora e contribui para a manutenção das funções cerebrais.

Conte com o nosso plano para se cuidar

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O declínio cognitivo e as alterações de memória são fenômenos complexos, influenciados por fatores biológicos, psicológicos e sociais. As doenças crônicas desempenham um papel significativo nesse processo, sendo fundamentais estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e manejo clínico adequado. A integração entre atenção básica, especialistas e serviços de apoio é essencial para garantir qualidade de vida às pessoas idosas e minimizar os impactos da degeneração cognitiva.

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Referências bibliográficas

  1. Vanzeler, M. L. A. Neuropsicologia e diagnóstico diferencial nos declínios cognitivos e processos demenciais no idoso. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, 2020.
  2. Academia Brasileira de Neurologia. Declínio cognitivo subjetivo, comprometimento cognitivo leve e demência – diagnóstico sindrômico. SciELO Brasil, 2022.
  3. Abreu, B. H. Alterações metabólicas associadas ao declínio cognitivo e neurodegeneração no cérebro diabético. Universidade Federal de Santa Catarina, 2020.
  4. Albert, M. S., et al. (2011). "The Diagnosis of Mild Cognitive Impairment Due to Alzheimer’s Disease: Recommendations from the National Institute on Aging-Alzheimer’s Association Workgroups on Diagnostic Guidelines for Alzheimer’s Disease." Alzheimer's & Dementia, 7(3), 270-279.
  5. Petersen, R. C. (2011). "Mild Cognitive Impairment as a Precursor of Alzheimer’s Disease." The New England Journal of Medicine, 364(23), 2227-2234.
  6. Jack, C. R., et al. (2018). "NIA-AA Research Framework: Toward a biological definition of Alzheimer’s disease." Alzheimer's & Dementia, 14(4), 535-562.
  7. Ritchie, K., & Kivipelto, M. (2014). "Mild cognitive impairment: a concept in evolution." Ageing Research Reviews, 15, 1-6.
  8. World Health Organization. (2017). "Dementia: A public health priority."

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