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26/08/2021 17:49

Cyberbullying: como preservar a saúde mental ao navegar pelas redes sociais

As redes sociais foram criadas para contribuir com o bem-estar e registrar momentos especiais. Mas muitos usuários utilizam a ferramenta para comportamentos ofensivos, como o cyberbullying, tornando o ambiente virtual nocivo para a saúde mental. A psicóloga e psicanalista Eliane Nascimento, da nossa rede credenciada, comenta esse quadro e aponta dicas para um uso mais saudável das redes.

Confira como foi esse bate-papo:

1) Na internet, as pessoas se sentem mais à vontade para terem comportamentos nocivos?

As redes sociais refletem a sociedade e percebe-se que, no nosso caso, ela está muito violenta e excludente. O filósofo francês Gilles Lipovetsky denominou a nossa época como “A era do vazio”, e o escritor Guy Debord chamou o mundo atual de “Sociedade do Espetáculo”. A convivência passou a ocorrer também pelas redes sociais, que funcionam como espelhos, em que as pessoas, principalmente os jovens, se expõem para se ver e serem vistos. Os usuários investem narcisicamente nessas imagens, com seus egos inflados. Existe um culto à imagem, ao hedonismo, ao glamour, ao poder, ao sucesso e seu fascínio. Por isso surgem as figuras idealizadas e legiões de seguidores.

2) A pandemia potencializou o estresse on-line?

A pandemia chegou sem pedir licença e envolveu toda a população de forma dramática e devastadora. Nunca houve experiência parecida para a população mundial. Todos foram atingidos. Mas nas crianças e nos jovens o impacto foi mais dramático, porque é nessas etapas de vida que as experiências são socializadas em grupos. Foram impedidos os contatos físicos e as interações presenciais, então a quarentena restringiu essas formas de trocas afetivas e de experiências próprias da idade. Mas os jovens voltaram-se para as redes de forma intensiva. Foram muito marcados pela ansiedade e por transtornos nesse tipo de cerceamento em que se viram obrigados a viver.

3) Como você descreve o bullying na Internet, o chamado cyberbullying?

Da mesma forma que entendemos bullying, palavra inglesa que significa valentão, fanfarrão. Trata-se de atos de violência, intimidação, humilhação e agressão a indivíduos. As agressões podem ser físicas, verbais e psíquicas, com características sádicas e cruéis e são repetidamente realizadas. Só que, nas redes, a multiplicação das informações é rapidamente realizada e com amplo alcance. Por essa característica, pode drasticamente prejudicar a reputação da vítima, mas os objetivos são idênticos.

4) Quais os efeitos do cyberbullying na saúde mental das vítimas?

As mesmas do bullying tradicional. São efeitos devastadores e muitas vezes irreversíveis para as vítimas, com a presença de sintomas como isolamento, queda de rendimento escolar, baixa autoestima, distúrbios variados de comportamentos, como alterações do sono, inapetência e depressão.

5) O que o usuário deve fazer ao ser atacado por esse tipo de comportamento?

A vítima deve buscar ajuda junto à sua família e escola, com a coordenação e professores. As famílias devem ser informadas que no nosso país já existe legislação protetiva a respeito. A Lei 13.185 de 06 de novembro de 2016 - o “Programa que Combate a Intimidação Sistemática”, tornando a luta contra o bullying uma política pública de educação, envolvendo ações junto às instituições das comunidades, à escola, órgãos públicos às famílias.

6) Como as pessoas podem utilizar as redes sociais de uma forma mais saudável, do ponto de vista da saúde mental?

Para responder, talvez possamos inverter a pergunta: será que a saúde mental de cada um é o que vai permitir uma relação mais saudável com as telas e redes de uma forma mais crítica, inteligente, criteriosa e responsável? As telas, hoje em dia, ditam os comportamentos, os valores e constroem uma realidade totalmente virtual, gerando dependências. Como lidar com isso? Pelo diálogo? Apostando numa aproximação com a família e dela com a escola? Com um olhar mais crítico sobre nossa sociedade atual? Acompanhando mais de perto as crianças e os jovens no uso das telas? Vale a pena refletir sobre tudo isso.

Se você está precisando de um profissional para cuidar da sua saúde mental, use o busca rede credenciada.

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