14/09/2026 09:00
Febre amarela: sintomas, transmissão e vacinação
Antes de entrar no tema deste artigo sobre a febre amarela, precisamos entender o cenário global sobre eventos climáticos e sua relação com a nossa saúde. O mundo está vivenciando momentos difíceis: pandemia, temporais que arrasam estados, tornados, ciclones e ondas de calor extremo em regiões que comumente não apresentam esse comportamento climático.
A crise climática não é fake news nem conversa de ativistas: ela é real. Ter conhecimento e responsabilidade sobre os efeitos da ação humana sobre o clima nos prepara para enfrentar as mudanças climáticas, sabendo que somente com informações de fontes confiáveis, é possível se prevenir para evitar que fiquemos vulneráveis.
No caso da febre amarela, o aumento das temperaturas e as alterações nas chuvas aceleram o ciclo de vida dos mosquitos vetores e facilitam a circulação do vírus na população.
Neste artigo, leia sobre:
1. O que é a febre amarela?
2. Dados epidemiológicos
3. Prevenção: a importância da vacinação
4. Outras medidas de prevenção
5. Sintomas
6. Diagnóstico e tratamento
7. Autodeclaração de saúde
8. Referências bibliográficas
O que é a febre amarela?

A febre amarela, também conhecida como “amarelão”, é uma doença infecciosa viral aguda, potencialmente grave, que continua representando importante problema de saúde em diversas regiões da África e das Américas.
Embora seja uma doença que pode ser prevenida por vacinação, surtos ainda ocorrem, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal. A informação correta sobre a doença é fundamental para reduzir riscos e proteger a população.
O vírus da febre amarela é transmitido pela picada de mosquitos infectados. No Brasil, a transmissão ocorre atualmente apenas no ciclo silvestre, envolvendo principalmente mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Os primatas não humanos, como os macacos, participam da cadeia de transmissão como hospedeiros naturais e não transmitem a doença diretamente para as pessoas.
Historicamente, existiu também o ciclo urbano da doença, transmitido pelo Aedes aegypti. No entanto, os últimos casos de febre amarela urbana registrados no Brasil ocorreram em 1942. Desde então, os casos confirmados estão relacionados exclusivamente ao ciclo silvestre. A vacinação é a grande responsável por não haver casos urbanos, já que o Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra a febre amarela para pessoas (moradoras ou viajantes) que irão para áreas com maior exposição ao vírus.
Dados epidemiológicos
A febre amarela permanece endêmica em áreas tropicais da África e da América do Sul. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alerta que a circulação viral continua ocorrendo na região das Américas, exigindo vigilância epidemiológica contínua e elevadas coberturas vacinais.
No Brasil, a vigilância da doença inclui o monitoramento de casos humanos e de apresentação da doença em primatas não humanos, considerados importantes sentinelas da circulação do vírus. A ocorrência de macacos mortos em determinada região pode indicar a circulação viral e desencadear ações de vigilância e vacinação.
A transmissão apresenta caráter sazonal, com maior frequência nos meses mais quentes e chuvosos, período de maior atividade dos mosquitos vetores. A ocorrência de surtos está frequentemente associada a baixas coberturas vacinais, deslocamentos para áreas de risco e contato com ambientes silvestres.
Prevenção: a importância da vacinação

O conhecimento sobre transmissão, manifestações clínicas e formas de prevenção é essencial para a proteção individual e coletiva. A febre amarela é uma doença potencialmente fatal, mas com alta capacidade de prevenção por meio da vacinação.
Associada às medidas de proteção contra mosquitos e à vigilância epidemiológica, a vacinação constitui o principal instrumento para o controle da doença no Brasil: é considerada a medida mais segura e eficaz para a prevenção da febre amarela, reduzindo a ocorrência de casos graves e óbitos.
A vacina apresenta alta eficácia e induz proteção duradoura na maioria dos indivíduos vacinados. A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde recomendam sua utilização conforme o calendário nacional de imunização, devendo ser incentivada em toda a população elegível.
No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e integra a rotina de vacinação da população. Atualmente, o esquema vigente prevê dose única para a maioria das pessoas elegíveis.
Além da proteção individual, altas coberturas vacinais contribuem para a proteção coletiva, reduzindo a possibilidade de surtos e a circulação do vírus em áreas de risco. O Ministério da Saúde estabelece como meta uma cobertura vacinal de, pelo menos, 95% da população-alvo.
Outras medidas de prevenção
Embora a vacinação seja a principal estratégia preventiva, outras medidas complementares ajudam a reduzir o risco de infecção:
- Utilizar repelentes registrados pelos órgãos competentes
- Usar roupas de mangas compridas e calças em áreas de mata
- Instalar telas em portas e janelas, quando possível
- Evitar exposição em horários de maior atividade dos mosquitos
- Buscar orientação sobre vacinação antes de viagens para áreas de risco
- Comunicar às autoridades sanitárias a ocorrência de macacos mortos ou doentes
Sintomas

Após a infecção, o período de incubação varia, geralmente, de 3 a 6 dias. Muitas pessoas podem apresentar formas leves ou até mesmo permanecer assintomáticas. Quando os sintomas surgem, os mais comuns incluem:
- Febre de início súbito
- Dor de cabeça intensa
- Dores musculares, especialmente nas costas
- Calafrios
- Náuseas e vômitos
- Fadiga e fraqueza
- Perda do apetite
Na maioria dos casos, a recuperação ocorre após alguns dias. Entretanto, cerca de 15% dos pacientes podem evoluir para uma fase mais grave da doença, após um breve período de melhora clínica. Nessa fase, podem ocorrer:

- Icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos)
- Insuficiência hepática
- Insuficiência renal
- Hemorragias
- Dor abdominal intensa
- Vômitos persistentes
Segundo a OPAS/OMS, entre os pacientes que desenvolvem a fase grave ou tóxica da doença, aproximadamente metade pode evoluir para óbito em um período de 7 a 10 dias, evidenciando a elevada gravidade da infecção.
Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da febre amarela se baseia na avaliação clínica, no histórico epidemiológico e na confirmação laboratorial. Métodos como RT-PCR (Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa) podem identificar o vírus nas fases iniciais da doença, enquanto testes sorológicos auxiliam no diagnóstico em fases posteriores.
Atualmente, não existe tratamento antiviral específico para a febre amarela. O manejo consiste em suporte clínico, incluindo hidratação adequada, monitoramento das funções hepática e renal, e tratamento das complicações.
O atendimento precoce aumenta significativamente as chances de sobrevivência dos pacientes graves.
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Referências bibliográficas
- Ministério da Saúde. Febre Amarela. Brasília: Ministério da Saúde.
- Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Febre Amarela: Folha Informativa.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Manual Laboratorial da Febre Amarela. Genebra: WHO, 2024.
- Ministério da Saúde. Vacinação contra Febre Amarela.
- Ministério da Saúde. Portal de Dados Abertos do SUS: Febre Amarela em humanos e primatas não humanos.
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